A TRISTEZA DE PAULO E A GRANDE COMISSÃO

Como a angústia de Paulo pela salvação de Israel [1] está ligada ao atual movimento de fazer discípulos que tem se espalhado pelo Oriente Médio? E, por sua vez, como esse movimento está conectado ao cumprimento da grande comissão?

A Angústia de Paulo e o Coração de Deus

Não seria nenhum exagero considerar Romanos 9-11 a passagem mais importante do Novo Testamento para compreensão da conexão entre Israel, a igreja e a grande comissão.

“Digo a verdade em Cristo, não minto, e a minha consciência confirma isso por meio do Espírito Santo: sinto grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser amaldiçoado, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.” Rm 9.1-3

Podemos perceber a intensidade e importância que o mistério de Israel tinha para o apóstolo dos gentios através do peso e ênfase das suas palavras antes de começar a expor o assunto aos romanos. Paulo não poderia ter sido mais taxativo. “Digo a verdade em Cristo, não minto, a minha consciência confirma isso por meio do Espírito Santo”. Em uma curta afirmação Paulo enfatizou por três vezes que o que ele estava para dizer não era simplesmente sua opinião, mas a PALAVRA de Deus, testemunhada pelo próprio Espírito.

O sentimento de Paulo sobre esse assunto é algo tão impressionante que só pode ser comparado a Moisés no episódio do bezerro [2] de ouro e ao que Jesus sentiu pelo seu povo quando chorou por Jerusalém e depois enfrentou a cruz. Depois de enfatizar que o que ele iria falar era algo extremamente importante, Paulo declarou que sentia “grande tristeza” e “incessante dor no coração” em virtude da atual condição do seu povo, Israel. Ou seja, Paulo estava aflito, inconsolável, agonizando pela tristeza que o consumia. Ao pensar na condição dos seus irmãos judeus, Paulo era aterrorizado por uma constante e profunda dor física, mental e emocional.

Ao ter o Espírito Santo como sua Testemunha, podemos afirmar que essa não era apenas a dor do coração de Paulo, mas naquele momento o apóstolo estava expressando a dor do coração do próprio Deus.

Se a vinda de Jesus tivesse subvertido o plano de Deus para Israel [3], Paulo não estaria sofrendo e sendo consumido por uma tristeza incessante por causa dos seus irmãos. O coração de Paulo ardia pela salvação de Israel. Essa era sua principal preocupação e objetivo cada vez que ele iniciava um novo trabalho. Em cada nova cidade, o primeiro lugar escolhido por Paulo para pregar o evangelho era a sinagoga local.

Paulo apóstolo dos gentios?

Antes de encontrar com o Senhor no caminho para Damasco, Paulo tinha grande zelo por seu povo, ele era um fariseu muito zeloso e observador da lei, instruído pelo grande rabino Gamaliel.[4] Mas depois do poderoso encontro com Jesus na estrada para Damasco, o zelo de Paulo foi transformado em uma incessante dor e aflição pela condição de Israel, pelo véu que continuava sobre eles e os impedia de ver a sua profunda necessidade de salvação.

Quem poderia causar mais impacto entre os judeus do que Paulo? Ele era o homem perfeito para ser enviado para Israel. No entanto, o desejo de Deus era que Paulo tivesse um entendimento mais completo do seu coração. Deus ama Israel e as nações. A eleição de Israel não é a rejeição das nações, mas o meio pelo qual Deus vai cumprir o seu propósito de levar todas as nações, incluindo o eleito Israel, de volta para o Éden. Mas como o próprio apóstolo declarou em outra de suas cartas, a loucura de Deus é muito mais sábia do que a sabedoria dos homens,[5] portanto, Deus enviou Paulo como apóstolo para os gentios.

A vida e o ministério de Paulo se tornaram um quadro profético da paixão e desejo de Deus por Israel e pelas nações.[6] A incessante dor de Paulo pela condição de Israel e o desejo de que fossem salvos não estava em conflito com o seu encargo e missão para os gentios.

Paulo exortou a igreja em Corinto que fosse imitadora dele e de Cristo.[7] Nossa ambição deve ser alcançar o mesmo coração de Jesus e do apóstolo. Devemos desejar profundamente receber o coração de Deus por Israel e pelas nações. Assim como Paulo, nosso alvo é estar disposto a perder tudo (no caso de Moisés e Paulo, inclusive a salvação individual[8]) para que eles possam ser salvos.

O Senhor confiou aos seus seguidores a responsabilidade pelo cumprimento da grande comissão[9]. Deus precisou transformar homens como Pedro e Paulo para que eles pudessem sentir o encargo e amor de Deus pelos gentios. Em nossa geração, onde a controvérsia sobre Israel e o destino do povo judeu tem tomado proporções globais, com aumento do ódio e práticas antissemitas, a igreja precisa urgentemente ser batizada no coração de Deus pelo seu povo Israel. [10] Precisamos nos dedicar a oração e profunda meditação na Palavra, para que o Senhor compartilhe conosco a dor do seu coração, tanto por Israel quanto pelas nações ao seu redor.

A igreja tem um peso pela salvação das nações e, mais recentemente, tem se despertado para o mundo muçulmano. A igreja tem enviado trabalhadores por toda parte. A tarefa de ir a todos os povos, línguas e tribos e pregar o evangelho do reino, pode finalmente se completar na nossa geração. Na geração passada (há 50 anos) isso era algo totalmente inimaginável. [11]

No entanto, precisamos lembrar que Israel é um desses povos considerados não alcançados. Precisamos urgentemente clamar pela salvação de Israel e para que o Senhor prepare as nações (especialmente as que estão ao seu redor) para provocá-los ao ciúme.

Os Gentios e a Salvação de Israel

Em Romanos 10, Paulo discorre sobre o papel que a missão de Deus entre os gentios irá desempenhar na salvação de Israel. A partir dessa passagem podemos compreender qual a maior necessidade do povo judeu: salvação!

“Irmãos, o desejo do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos.” Rm 10.1

Ao explicar que essa salvação decorre inteira e exclusivamente da parte de Deus, Paulo então afirma que essa maravilhosa graça foi estendida também ao gentios.

“Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será envergonhado. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Rm 10.11-13

Ao ampliar o entendimento da passagem, Paulo não está em momento algum reinterpretando e estabelecendo outro significado para a Escritura profética. Isso é muito importante, uma vez que a citação de Joel, refere-se à maravilhosa salvação de Israel que se dará no grande e terrível Dia do Senhor!

No versículo 15, Paulo também faz uma citação incompleta de Isaías 52.7. [13] Isso era uma prática comum no judaísmo e no ensinamento apostólico do primeiro século. Ao citar um texto das Escrituras, o apóstolo esperava que sua audiência imediatamente conectasse aquilo que estava sendo falado ao contexto [14] da passagem referida. Expandindo sobre o assunto, Paulo dá a entender que as boas novas devem ser pregadas a todas as nações. No entanto, o seu cumprimento pleno e literal diz respeito a salvação de Israel no fim dos tempos e como os gentios vão proclamar o evangelho do reino aos judeus espalhados pelas nações.

Porque Israel foi espalhado entre as nações, cabe a igreja entre os gentios anunciar a eles o evangelho. [15] Porque os gentios são chamados a pregar o evangelho aos judeus espalhados em suas nações, a evangelização da nações, torna-se essencial para a salvação de Israel.

A perseguição aos judeus por parte da igreja e o antissemitismo cristão são uma grande mancha na história.[16] É uma grande catástrofe o fato de que, ao longo dos séculos, a igreja tenha ora perseguido ora ignorado os judeus e negligenciado a sua tarefa de anunciar as boas novas da salvação para Israel.

Embora tenhamos por muito tempo abandonado a nossa responsabilidade e missão no que diz respeito ao povo judeu, Paulo deixou bem claro na sua carta aos Romanos que esse era o propósito de Deus ao planejar que o evangelho se espalhasse entre as nações:

“Pergunto mais: Porventura, não terá chegado isso ao conhecimento de Israel? Moisés já dizia: Eu vos porei em ciúmes com um povo que não é nação, com gente insensata eu vos provocarei à ira. E Isaías a mais se atreve e diz: Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim. Quanto a Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente.” Rm 10.19-21

Antes de morrer, quando o povo estava prestes a entrar na terra prometida, Moisés profetizou que Israel provocaria Deus ao ciúmes.[17] A resposta de Deus foi surpreendentemente apaixonada, declarando que provocaria ciúmes em Israel com aqueles que não são povo.

Paulo compreendeu que a profecia de Moisés estava falando sobre o evangelho chegando até os gentios. Israel provocou a ira e o ciúmes de Deus com as suas prostituições com ídolos e deuses falsos. A resposta de Deus revela toda a sua paixão e graça: ele decidiu se revelar aos gentios. Que incrível!

Isso não quer dizer, em hipótese alguma, que Deus tenha rejeitado Israel. Deus não quebrou a sua aliança com Israel, pelo contrário, ele ampliou a sua aliança para envolver todas as nações. Sendo assim, não são os judeus que devem se juntar a igreja, mas sim as nações devem se juntar a Deus através da aliança eterna que ele estabeleceu com Israel. No entanto, atualmente, os galhos naturais foram cortados e nós (oliveira silvestre) clamamos para que os galhos naturais sejam mais uma vez enxertados, para que a alegria do coração de Deus (e do nosso) seja completa.

A profecia de Moisés é muito profunda e a base da teologia de Paulo sobre a condição de Israel e da sua missão de levar o evangelho para as nações. Deus usou a idolatria de Israel para trazer salvação para os gentios. Deus usará as nações para provocar Israel para a salvação. Israel ouvirá as boas novas da sua salvação pelos gentios. Que mistério glorioso!

No versículo 20, Paulo cita Isaías.[18] É impressionante o fato de Paulo ter citado essa passagem. Se lembrarmos que o desejo dos apóstolos ao citar uma passagem era que os seus ouvintes contextualizassem aquilo que eles falavam com toda a passagem citada, precisamos olhar para toda a profecia registrada nos últimos capítulos de Isaías.

No final do livro de Isaías,[19] Jesus é apresentado como o grande Moisés[20], que vem julgar as nações e libertar o seu povo da opressão, marchando em uma procissão do Egito pelo Sinai e Borza até chegar mais uma vez em Jerusalém. Depois dessa impressionante visão sobre a volta do Senhor, o profeta explode em intercessão[21], clamando para que Deus, diante da calamidade que atingiu Israel, possa fender os céus e executar o seu juízo e salvação. Depois da intercessão apaixonada, Isaías recebe uma resposta surpreendente. Deus responde ao clamor pela salvação de Israel dizendo que irá aos gentios.[22] O profeta estava aflito por causa da condição de Israel e clamando em arrependimento para que que Deus viesse salvar Israel e derramar o seu juízo sobre as nações, e a resposta de Deus é a promessa de salvação para as nações? Que Deus maravilhoso e surpreendente!

Na continuação da passagem Deus afirma: “Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde”[23]. Paulo explicou na sua carta aos Romanos que esse povo rebelde é Israel e que, em misericórdia, Deus irá estender as suas mãos a eles usando como instrumento os gentios. A igreja gentílica demonstrará a bondade de Deus aos judeus mesmo sendo eles um povo rebelde e teimoso.

Paulo citou essas profecias do Antigo Testamento para demonstrar como Deus irá usar os gentios para levar Israel ao seu chamado. Os profetas previram que Israel iria tropeçar e rejeitar o seu Messias, que a salvação seria estendida aos gentios e que finalmente, Israel seria salvo e entraria na plenitude do seu chamado de ser luz e benção para as famílias da terra.

Paulo compreendeu um grande mistério, ou seja, que a volta de Jesus não aconteceria antes da salvação de um remanescente de cada nação, e que a salvação desse remanescente entre as nações resultaria na salvação de todo Israel. Nossa geração precisa resgatar o encargo apostólico pela salvação de judeus e gentios. Isso só acontecerá se cultivarmos um ardente desejo pela volta do nosso Rei.

A oferta de salvação estendida para as nações não é o fim dos propósitos de Deus para Israel e nem o cumprimento das suas promessas, mas a maravilhosa e surpreendente maneira como Deus escolheu desenvolver a sua missão antes de levar Israel ao seu chamado. Deus ama Israel profundamente e irá cumprir cada uma de suas promessas a eles. Mas as promessas que Deus fez para Israel estão intrinsecamente ligadas à salvação dos gentios[24].

É incrível que um remanescente das nações possa desfrutar da salvação e acesso a Deus por meio da nova aliança, que é uma promessa de salvação e restauração para Israel[25].

Deus levará todas as nações a uma posição de humildade. Os gentios deverão se submeter ao Deus de Israel e ao Messias judeu, além de reconhecer a eleição de Deus sobre o povo de Israel. Ao mesmo tempo, Israel será humilhado diante de Deus ao ser levado de volta ao seu chamado através dos povos gentios que demonstrarão a eles com amor o seu Messias.

Portanto, a nossa missão é discipular as nações, para que uma igreja gentílica possa provocar ciúmes em Israel. Quando isso acontecer, adentramos a era messiânica e veremos a restauração da criação à realidade do Éden.

O Oiente Médio e a Grande Comissão

A história da humanidade começou em um Jardim, no Oriente Médio, e todo desenvolvimento da narrativa bíblica aconteceu nessa região. A Bíblia prevê que o fim desta era também terá seus principais eventos acontecendo no Oriente Médio, antes de sermos levados de volta ao Jardim.

Vivemos em uma época em que, pela primeira vez na história, os acontecimentos no Oriente Médio têm um impacto e relevância globais. Os olhos e interesses das nações da terra estão voltados para esta região. No centro do palco encontramos Israel e a personagem mais controversa é Jerusalém. Na linguagem bíblica, ela está se tornando um copo de embriaguez para as nações a sua volta[26].

É nosso papel entender a relação do Oriente Médio com o cumprimento das profecias bíblicas, a grande comissão, o fim desta era e o retorno do Rei.

Hoje em dia, quando olhamos para o Oriente Médio, vemos nações devastadas e desesperadas. A região se tornou um dos maiores desafios para a humanidade. A crise de refugiados gerada pela guerra civil na Síria é a mais problemática desde a Segunda Guerra Mundial. São 5.6 milhões de refugiados espalhados principalmente pelas nações vizinhas. Além dos refugiados são mais de 13 milhões de pessoas passando por algum tipo de necessidade dentro da Síria, sendo que 6.6 milhões estão desabrigadas e quase 3 milhões em regiões de difícil acesso[27].

A primavera árabe que teve seu início depois do suicídio do jovem Mohamed Bouzid, de 26 anos que decidiu atear fogo no próprio corpo por falta de condições de trabalho e dos abusos do governo. O que parecia apenas mais um movimento no mundo árabe[28], escalou rapidamente para a terrível guerra civil na Síria (sem contar a guerra da Líbia, Iêmen e manifestações em diversos outros países). A partir da primavera árabe vimos ainda o surgimento do Estado Islâmico. Embora os ânimos pareçam momentaneamente controlados, o caos e instabilidade instaurados na região parecem irreversíveis (guerras, ressentimentos étnicos, perseguição a minorias, perseguição aos cristãos, interesses políticos e religiosos). Os problemas da região são um código indecifrável. Ao olhar natural a única resposta possível é desesperança.

As igrejas plantadas por Paulo e os outros apóstolos na região, foram dizimadas desde o surgimento do primeiro califado islâmico de Abu Baquir em 632. Ao longo da sua história os califados exigiram conversão ou submissão ao islã de maneira feroz e agressiva. Sua época áurea foi o califado do Império Otomano (1517-1922) cujo atual governo turco deseja ambiciosamente retomar, depois de 100 anos da sua queda, no final da Primeira Guerra Mundial. O califado mais recente foi o do autodeclarado Estado Islâmico que gerou terror e morte de cristãos e minorias por onde passou. Por causa de mais de mil anos de perseguição, os cristãos foram obrigados a deixar a região e os que ainda permanecem continuam sendo perseguidos[29].

Mas ao longo da história de conquista islâmica, sempre faltou um elemento que tornasse possível a conclusão da história. Com o renascimento do Estado de Israel em 1948, Jerusalém voltou a ser a obsessão dos países muçulmanos e motivo de controvérsia global.

Diante de tudo isso, o que podemos esperar para o futuro da região?

Se buscarmos uma resposta humanista para a região, inevitavelmente caímos em pessimismo e desesperança. Nossa resposta deve então encontrar raízes na Palavra e promessas de Deus e naquilo que ele está fazendo hoje na terra.

Ismael e Israel

Vamos analisar a promessa que Deus fez para Ismael, o patriarca dos povos árabes, principal etnia em todas as nações que estão em volta do Estado de Israel.

A promessa que Deus fez a esse povo é muito significativa, porque eles estão ligados a Israel através dos laços familiares com Abraão. As duas primeiras vezes que o Anjo do Senhor aparece nas Escrituras foi para Agar. Na primeira vez ela estava fugindo de Sara e foi encorajada a voltar e se submeter. Na segunda vez, ela e Ismael haviam sido expulsos da casa de Abraão, uma vez que Ismael havia perseguido Isaque[30]. Nesse encontro, o Anjo do Senhor fez uma maravilhosa promessa a Ismael de que ele se tornaria uma grande nação[31].

A palavra grande [32] é a mesma palavra usada por Deus quando prometeu aos patriarcas de Israel que a sua descendência seria grande. No original, essa palavra tem uma conotação não apenas quantitativa, mas também qualitativa. Deus prometeu que Ismael seria uma nação grande (numerosa e importante) diante dele. Não faria sentido que o Anjo do Senhor aparecesse duas vezes a Agar apenas para declarar que a sua descendência seria numericamente grande, mas cercada de controvérsias, inimizades e condenada ao juízo. Ao afirmar que Ismael seria uma grande nação, Deus o abençoou e determinou que ele seria parte do cumprimento do seu propósito!

Embora Ismael tenha rejeitado Isaque e sido expulso da casa de seu Pai Abraão, precisamos lembrar que Israel também rejeitou o grande Isaque[33] e por muitos séculos tem andado disperso, longe da sua herança e da casa do Pai. Assim como Deus restaurará Israel, também faz parte do seu plano abençoar Ismael.

Ao longo da história, os descendentes de Ismael se tornaram uma nação numerosa, mas ainda não se tornaram uma nação importante para os propósitos de Deus. Essa promessa ainda espera cumprimento antes do final desta era.

O fato de que o islã, o maior falso movimento de adoração da história, tenha surgido entre os filhos de Ismael, não é um fato acidental. Através dessa falsa religião, Satanás vem tentando perverter o chamado de Ismael e destruir o seu destino e a promessa de bênção para ele.

O Senhor levará os descendentes de Ismael a clamarem a ele em virtude da sua dor por terem sido excluídos da família de Abraão. O Senhor ouvirá esse clamor e trará grande salvação entre os descendentes de Ismael, que se tornará uma “grande” nação. Esse “grande” remanescente entre os filhos de Ismael será usado para provocar ciúmes em Israel e trazer o seu irmão mais novo, que também está perdido, de volta para o seu Deus.

Um dos papéis da igreja é provocar ciúmes em Israel [34]. Embora esse seja um chamado para a igreja gentílica de todas as nações, ele é especialmente um chamado para as nações que estão ao redor de Israel, os descendentes de Ismael.

O Tempo de Angústia para Jacó e a Igreja no Oriente Médio

Não precisamos ser nenhum expert em política e relações internacionais para perceber que o cerco contra Israel vem se apertando. O crescimento do antissemitismo no mundo inteiro, apenas uma geração depois do Holocausto, é algo assustador. As nações vizinhas não fazem qualquer questão de esconder seus planos ambiciosos de ter Jerusalém e varrer o Estado de Israel do mapa. A ONU, que deveria ser uma organização que luta pelos direitos humanos, liberdades religiosas e democracia, há muito tempo se tornou mais uma plataforma para que países com viés anti-Israel manifestem suas visões antissemitas Mas, diante de tudo isso, nossa maior preocupação deve ser com a igreja. Nós precisamos de uma geração de santos que, assim como o seu Mestre, vão dar a vida pelo seu irmão Israel.

Apesar de ser um assunto muito sensível (e não entraremos em detalhes sobre isso[35]), precisamos afirmar que a Bíblia é muito clara sobre um tempo de angústia para Jacó[36], em que Deus irá levá-los ao deserto para resolver a controvérsia que ele tem com eles[37], um tempo de tribulação como jamais existiu[38]. Mas onde é esse deserto em que Deus vai lidar com o seu povo antes de restaurá-los para todas as suas promessas? Mais, uma vez as Escrituras, são muito claras que se trata das nações vizinhas [39].

Sendo assim, é lógico pensar que a igreja nas nações mais hostis a Israel, terá o papel principal nesse chamado de provocar os judeus de volta para o seu Deus. Não que a igreja nas demais nações também não estará amando e servindo aos judeus na hora mais escura da história (que será muito mais terrível que a Segunda Guerra e o Holocausto). Mas será naquelas nações mais próximas, para onde primariamente os judeus serão levados como refugiados e prisioneiros, que a igreja poderá demonstrar todo o seu amor se colocando entre eles e a fúria do anticristo. Assim como Jesus, a igreja vai se posicionar para tomar sobre si a ira da serpente e dar a vida pelos judeus[40].

A inimizade entre Ismael e Isaque vai persistir até o fim desta era, quando o Senhor trouxe juízo sobre as nações que, sem causa, odeiam Israel. Porém, o “grande” remanescente das nações árabes será o principal responsável por amar, acolher e declarar a Israel a verdade sobre o Rei/Salvador/Messias deles, para que, quando ele vier para salvá-los, eles possam reconhecê-lo e, pranteando em arrependimento, se voltar para ele[41].

Embora o nosso foco tenha sido explorar a promessa bíblica para Ismael, existem diversas passagens em que Deus promete restauração para as nações vizinhas[42]. Um novo movimento de fazer discípulos tem se espalhado rapidamente por toda a região, como por exemplo no Irã e no Afeganistão, duas das igrejas que mais crescem hoje no mundo. Mas o que é mais importante destacar é que aqueles que têm abandonado o islã e declarado aliança ao Rei dos judeus, passam imediatamente a amar Israel e orar por eles. É essa igreja que estará pronta a dar a vida pelos seus irmãos!

Uma última palavra de exortação é que quanto mais desejarmos a volta do Senhor, mais nos envolveremos com aquilo que ele está fazendo nas nações, especialmente no Oriente Médio que é o palco central da história de redenção. Jesus vai voltar para salvar Israel e redimir todas as nações da terra. Ele vai trazer um reino de verdade e esse reino é um reino de paz, justiça e alegria. Israel será a primeira nação totalmente salva, o que significa que finalmente todas as famílias (nações) da terra serão abençoadas.

Maranatha!!!!

Vem Senhor Jesus!!!


Paulo Costa

casado com Susana, pai de Everest, Elijah e Moses. Atualmente serve com a FAI (Frontier Alliance International) no Oriente Médio.

[1] Rm 9-11

[2] Ex 32.32

[3] Infelizmente se tornou comum ouvir que a igreja substituiu Israel ou ainda que Jesus é o cumprimento de tudo o que se diz respeito a Israel (essa é a posição de alguns dos mais importantes estudiosos do Novo Testamento na atualidade). Nosso objetivo nesse pequeno artigo não é debater ou responder essas teologias, mas buscar compreender o coração do apóstolo e como isso se relaciona com Israel hoje.

[4] At 22.3; Fl 3.5

[5] 1 Co 1.25

[6] Embora isso possa ser percebido desde o início. Antes mesmo de Israel existir, quando Deus escolheu Abrão, de Ur dos Caldeus, ele prometeu que através da sua descendência (que viria a ser Israel) todas as famílias (nações) da terra seriam abençoadas.

[7] 1 Co 11.1

´[8] Ex 32.32; Rm 9.3

[9] Mt 28.19

[10] Para mais informação sobre o rampante crescimento do antissemitismo no mundo, consultar o website: https://global100.adl.org/map, com excelente estatística sobre o assunto.

[11] Para mais informações e estatísticas sobre a tarefa da grande comissão e grupos não alcançados visitar o website do Joshua Project: https://joshuaproject.net/people_groups/statistics

[12] E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar. (Jl 2.32)

[13] Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! (Is 52.7)

[14] Jesus fez isso diversas vezes durante os seus ensinamentos e sermões. Mas a alusão mais notável de Jesus refere-se ao seu título preferido: “Filho do Homem” Jesus usou esse título para se referir a ele mesmo mais do que qualquer outro título, mas a intenção de jesus era remeter os seus seguidores ao livro de Daniel para que eles pudessem compreender que ele era o Homem Divino visto por Daniel na sua visão.

[15] Porque Israel será espalhado entre as nações vizinhas (mulçumanas) antes da volta do Senhor, cabe à igreja nessas nações proclamar o evangelho aos judeus e provocá-los ao ciúmes.

[16] Para um estudo mais profundo sobre esse assunto recomendo a excelente obra de Joel Richardson: Quando um Judeu Governar o Mundo

[17] E disse: Esconderei deles o rosto, verei qual será o seu fim; porque são raça de perversidade, filhos em quem não há lealdade. A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com seus ídolos me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo; com louca nação os despertarei à ira. (Dt 32.20-21)

[18] Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome, eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui. Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos; (Is 65.1-2)

[19] Is 63

[20] Nm 24; Dt 18; 28-33, Jz 5; Sl 68; Hb 3

[21] Is 64

[22] Is 65

[23] Is 65.2; Rm 10.21

[24] Gn 12

[25] Jr 31.31

[26] Zc 12-14

[27] Fonte: https://www.unhcr.org/syria-emergency.html

[28] Primavera Árabe iniciada em 18 de Dezembro de 2010

[29] Para mais informações sobre a perseguição aos cristãos na região visite o website da organização portas abertas.

[30] Gn 21.9; Gl 4.28

[31] Gn 21.18

[32] gadowl ou (forma contrata) גדל gadol procedente de 01431 ; DITAT – 315d; adj 1) grande 1a) grande (em magnitude e extensão) 1b) em número 1c) em intensidade 1d) alto (em som) 1e) mais velho (em idade) 1f) em importância 1f1) coisas importantes 1f2) grande, distinto (referindo-se aos homens) 1f3) o próprio Deus (referindo-se a Deus) subst 1g) coisas grandes 1h) coisas arrogantes 1i) grandeza n pr m 1j) (CLBL) Gedolim, o grande homem?, pai de Zabdiel

[33] Jesus

[34] Dt 32.20-21; Is 65.1-2; Rm 11.11

[35] Não teríamos tempo nesse artigo para discutir a questão do futuro de Israel antes da volta de Jesus.

[36] Jr 30.7

[37] Os 2: 13-14; 4.1; Ez 20.33-37

[38] Dn 12.1; Mt 24.21

[39] Embora existam inúmeras passagens que poderiam ser citadas para confirmar essa afirmação, talvez a passagem mais determinante e resumida seja Isaías 11, quando o profeta trata do êxodo apocalíptico do final desta era onde o próprio Messias vai recolher o seu povo das nações circunvizinhas e leva-los de volta para Israel.

[40] Ap 12.15-16

[41] Zc 12.10

[42] Is 2:1-4; 19.23-25; 56.7-8; Jr 49.38-39, etc

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