Verdadeiros e Falsos Profetas (por Art Katz)


Espero que você compartilhe comigo o crescente senso de importância que esse assunto tem. Até agora, tenho suportado com alguma paciência e até diversão o número daqueles que atualmente se rotulam de “proféticos” e a popularidade que esse chamado agora goza, o que tem sido contrário à minha própria experiência. Parecia mais uma daquelas “modas” que mais cedo ou mais tarde desapareceria. Agora, porém, está chegando muito perto de casa, nas coisas que são zelosamente caras ao meu próprio coração e que têm a ver com a manutenção da dignidade e do significado da palavra “profeta” em si! Afinal, se baratearmos ou perdermos o verdadeiro ofício de profeta, que base temos nós, vendo que a casa de Deus… [ela mesma] é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Jesus Cristo a principal pedra angular? (Efésios 2:19-20).

A minha própria proclamação ousada em todo lugar de um iminente tempo de calamidade para o estado de Israel e judeus em toda parte, como sendo uma declaração emitida com autoridade de um ofício e não de opinião, exige um repúdio ou um reconhecimento da seriedade desse ofício e aqueles que professam falar disso. Pois creio que é para aqueles que estão no verdadeiro ofício de profeta que a interpretação incisiva das escrituras proféticas é dada. A questão então de verdadeiro ou falso tornou-se um distúrbio desnecessário da igreja para aquilo que já é passado ou um aviso de vida ou morte daquilo que não é apenas futuro, mas iminente.

Quão extraordinariamente isso se assemelha à experiência de um antigo “profeta do juízo”, Jeremias, que tinha não apenas de contender com a obstinação da nação para ouvir sua advertência, mas também a oposição ativa daqueles que afirmavam ser, também, profetas! O grito de Deus através dele contra os falsos profetas no clássico e amargo ataque do capítulo 23 deve ter sido uma angústia adicional para sua, já atormentada, alma. Em um “Assim diz o Senhor dos Exércitos”, não empregado como instrumento para santificar o que é apenas uma conjectura humana, mas como um que pontua a urgência do próprio coração de Deus, o povo é advertido: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que vos profetizam, enchendo-vos de ilusões; falam da visão do próprio coração, não da boca do SENHOR” (v.16).

Pois, até mesmo ouvir é ser entorpecido e tornar-se mais propício ao calmante e sedutor “Tudo estará bem com você… nenhuma calamidade virá sobre você” (v.17). Tais homens profetizam “o engano do seu próprio coração… dizendo que sonhei um sonho… pelos seus sonhos que eles contam um ao outro… eles fazem o meu povo esquecer o meu Nome” (vv.25-27). Isto é, na leveza de suas brincadeiras, às quais o nome do Senhor é imprudentemente afixado, Deus é necessariamente humilhado e diminuído como Deus; pois o que Deus é na totalidade de sua natureza e caráter está implícito e é intrínseco em seu Nome!

De onde vem a indescritível audácia daqueles que, apesar de não terem sido enviados, “correram” (v.21)! “Profetas sem sentido, que seguem seu próprio espírito e não viram nada”, que “vislumbraram falsidade e adivinhação mentirosa” e até mesmo nas profundezas de sua própria auto-ilusão, “ainda [esperam] o cumprimento de sua palavra” (Ezequiel 13:3-6) [de uma paz que não pode e não virá] “dizendo aos que desprezam a Palavra do Senhor, tudo irá bem com vocês… nenhuma calamidade sobrevirá a vocês” (Jeremias 23:17)!

“Pois quem dentre eles esteve no conselho do SENHOR, para que percebesse e ouvisse a sua palavra, ou quem esteve atento e escutou a sua palavra?” (V.18). A própria palavra “quem” no grito deste versículo não indica muitos, pois o “conselho” de Deus implica o sentido mais íntimo de Deus do qual homens de presunção e ambição são, necessariamente, impedidos! Deus fundamenta a santidade de Seu Nome e Sua Palavra nos limites do relacionamento, do qual os homens ocupados não têm tempo nem disposição para entrar. Nem é um lugar onde alguém pode vir com o propósito expresso de encontrar uma palavra. Pois vir para a conveniência da palavra apenas, é vir no espírito de utilidade, o que significa dizer, não vir em nome do Senhor! Deus deve ser procurado, consistentemente, por quem Ele é e não por aquilo que pode ser obtido Dele, mesmo para o “ministério”!

Como os homens que já profanaram o sagrado invocando o nome do Senhor como uma palavra de ordem (para dar uma aura de credibilidade às suas próprias conjecturas) têm disposição para tal busca? Eles são falsos em si mesmos e refletem uma era que é falsa em si mesma na qual muitos na igreja foram infectados e não podem dizer a diferença! Como sempre na última análise de qualquer questão, é a Cruz que está em jogo! Pois estar “no conselho do Senhor” requer que o quebrantamento, a disposição de esperar, a separação do comichão pela fama e reconhecimento, a disposição para suportar a rejeição, a incompreensão, a ofensa necessária, a retidão em direção a Deus, aquele enviar de um corpo disposto a compartilhar desses sofrimentos o peso da angústia profética singular, a morte diária que é, necessariamente, a história e condição de qualquer homem chamado para a tarefa sagrada de profeta nessa geração do fim.

Quando foi que nossa era se encontrou em tamanha necessidade de ouvir o coração de Deus? Oh, pela Palavra do Senhor quando Ele decide concedê-la. Quando ela (a Palavra do Senhor) vier – eu suspeito que – será para aqueles que estão na prática de uma comunhão diária e precoce, que não fazem questão de obter nada para condicionar sua devoção; que acham Seu silêncio tão sagrado como Suas falas, reverenciando-O como Deus porque Ele é Deus e, portanto, não reterá Sua Palavra quando vier, por mais dolorosas que sejam suas implicações e seus julgamentos, sabendo que até os julgamentos de Deus são, eles próprios, uma misericórdia! Para eles, como os antigos profetas hebreus citados acima, a honra e o privilégio também serão dados para proclamar a Israel sua restauração e à Igreja, Sua breve vinda, Seu Reino e Sua glória.


– ART KATZ

Fonte: https://artkatzministries.org/articles/true-and-false-prophets

Tradução: Felipe Silveira

Deixe uma resposta